sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

OS INCOMPREENDIDOS (400 BLOWS):
Outro dos filmes representativos da Nouvelle Vague, dirigido por François Truffault. Lançado em 1959, ele tem como tema central a infância. 

O personagem principal é Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud), um menino por volta de 12 anos que vive com sua mãe Gilberte (Claire Maurier) e o pai adotivo Julien (Albert Rémy) em um pequeno apartamento em Paris. Ambos trabalham, deixando o menino muito tempo sozinho. 

Antoine não é muito adepto aos estudos e vive em encrencas na escola. Sua família não é muito compreensiva com seu comportamento, o que o empurra ainda mais para a deliquência. Foge de casa duas vezes, sendo que na última, mete-se em um roubo onde é flagrado e entregue por seu pai aos policiais. 

O filme mostra um tipo de infância bem diferente daquela em que idealizamos. Em alguns momentos, Antoine realmente é incompreendido, como o título em português sugere. No entanto, a falta de perspectiva e concentração - coisas mais atuais hoje em dia do que se pensa - leva o menino a um caminho sem volta pela delinquência e solidão. Tudo isso é muito bem apontado por Truffalt, com a direção crua do estilo nouvelle vague. Um bom filme para aqueles momentos de chuva no fim de tarde. NOTA:  7.





Melhor diálogo do filme: 
- Seus pais dizem que você está sempre mentindo. (Delegado)
- Ah, eu minto às vezes. Às vezes falava a verdade, mas eles não acreditavam. (Antoine - Jean-Pierre Léaud)

Os incompreendidos (400 blows) - 1959 - Gênero: Drama - Direção: François Truffaut /// Jean-Pierre Léaud, Claire Maurier, Albert Rémy, Guy Decomble, Patrick Auffay. Imagens: Google Images.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013


JULES E JIM - UMA MULHER PARA DOIS (JULES AND JIM): Paris, 1912. Pouco antes de estourar a I Guerra Mundial, dois homens se conhecem na França e, por conta de seus interesses em comum, tornam-se grandes amigos. O austríaco Jules (Oskar Werner) e o francês Jim (Henri Serre) levam a vida preocupados com literatura, artes e mulheres. Até que eles conhecem Catarina (Jeanne Moreau), uma francesa de pensamentos e comportamento liberais para a sua época. Assim, o que era dupla vira trio de amigos. Só que, obviamente, ambos se apaixonam por Catarina. Jules a pede em casamento e recebe o sim. Jim, como prometido a seu amigo, mantém-se apenas como amigo, embora deseje-a como mulher. A IGM estoura e os dois amigos lutam em lados opostos, mas sem deixar que isto termine com a amizade. Ao fim da guerra, Jim vai visitar Jules e  Catarina em sua casa. Lá ele descobre que o casamento dos dois não tem sido um mar de rosas.

Um dos filmes representantes do Nouvelle Vague, Jules e Jim fala de amizade, amor, traição, confiança e tolerância. Foi lançado em 1962 e pode ser considerado ousado para o padrões da época. Se bobear até hoje é complicado encontrar um filme onde mulheres com espírito livre, sem amarras com as convenções sejam tratadas pelo roteiro de forma respeitosa, sem julgamentos. Mas este é um exemplar. Bom filme, com bons personagens e uma história interessante. Um clássico da sétima arte! NOTA:  8.



Melhor cena do filme: Aquela em que Catarina (Jeanne Moreau) canta uma canção.

Jules e Jim (Jules and Jim) - 1962 - Gênero: Drama - Direção: François Truffaut /// Jeanne Moreau, Oskar Werner, Henri Serre. Imagens: IMDB.

domingo, 18 de agosto de 2013

OS NORMAIS 2 - A NOITE MAIS MALUCA DE TODAS (IDEM):
Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres), o casal mais "normal" de todos os tempos, voltam às telas dos cinemas com mais uma aventura amalucada! E, sendo bastante sincera, este é o melhor dos dois filmes da antiga série de TV. 

Em Os Normais 2, o casal está junto há alguns anos e vive aquele momento de marasmo que às vezes se instaura por conta do dia-a-dia. Eles decidem fazer algo diferente: experimentar um menáge a trois. E é aí que começa toda a confusão. Em busca de uma terceira pessoa para participar desta, digamos, empreitada, Rui e Vani se metem nas maiores confusões. Coisas que uma mente normal não pode imaginar. 

Quando fui ao cinema assistir à primeira aventura do casal, confesso que me decepcionei bastante. Achei o filme bobo, voltado demais para palavrões e escatologia. Em nada me lembrava o clima da série televisiva, com suas loucuras surreais. Em suma: detestei. 

Os Nornais 2 é muito melhor! Gostei bastante, principalmente por trazer de volta o clima louco e os diálogos bem construídos dos personagens. Era a série novamente ali, só que em longa metragem. Muito melhor! Os atores convidados também entraram no clima "normal" do casal e deram um show! Adorei! NOTA:  7.



Melhor diálogo do filme:
(Vou ficar devendo...) 

OS NORMAIS 2 - A NOITE MAIS MALUCA DE TODAS (Os Normais 2 - A noite mais maluca de todas) - 2009 - Gênero: Comédia - Direção: José Alvarenga Jr. /// Fernanda Torres, Luiz Fernando Guimarães, Daniele Suzuki, Drica Morais, Daniel Dantas, Cláudia Raia, Alinne Morais, Daniele Winits. Imagens: IMDB.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

SHOW DE VIZINHA (THE GIRL NEXT DOOR):

Quanto tempo eu não via uma comédia adolescente! Acho que desde a faculdade. Não que eu me sinta adulta e não queira mais ver esse tipo de filme. Mas a falta de tempo nos limita. Acabei vendo este aqui. Filme adolescente típico com os seus clichês: rapaz estudioso, menina bonita, amigos nerds, sexo, perseguição na escola etc. É... Acho que já vi de tudo nesse gênero...

Show de Vizinha conta a história de Matthew Kidman (Emile Hirsh), um rapaz muito estudioso e ambicioso, que sonha se tornar político "quando crescer". Seus caminhos seguem todos para uma carreira promissora até ele conhecer Danielle (Elisha Cutberth - a filha chata de Jack Bauer em 24 horas, lembram?). Ela se muda para a casa vizinha a de Matt e desperta sua paixão instantânea e a de todos os garotos da região.

Obviamente que Matt e Danielle acabam se envolvendo emocionalmente. Até aí tudo bem. O problema começa quando todos descobrem - incluindo o próprio Matt - que Danielle já foi atriz de filme pornô. Matt fica perdido e não sabe o que fazer com a nova informação. O relacionamento dos dois se abala, logicamente. Mas quando você pensa que nada pode ser tão ruim que não possa piorar, chega a cidade o antigo produtor dos filmes de Danielle, cobrando da garota uma dívida. Claro que Matt se propõe a pagar, colocando em risco sua carreira, mas usando de muita inteligência. Afinal, ele é um aluno nota A.

Show de Vizinha é um filme engraçadinho... Mas se você nunca viu, não está perdendo nada. Ainda mais com a chata da Elisha Cuttberth como uma das protagonistas. É melhor ver algum outro filme que você nunca tenha visto ou ir ler um livro que você tem guardado na estante e nunca teve tempo para ler. NOTA: 5.



Melhor diálogo do filme:
- Cara, não estraga tudo! (Eli - Chris Marquette)
- Estragar o quê? (Mathew - Emile Hirsch)
- Matt! Ela é uma estrela pornô! Ok? Leve ela a um motel e transe com ela até a morte! (Eli)
- Eli, eu gosto dessa garota (Mathew)
- E você ainda pode continuar gostando com seu pênis dentro dela. Mathew, eu estou te dizendo que você vai se arrepender disso. O que JFK faria? Você sabe que ele daria tapinhas nela.
- Eli, eu nunca mais a verei novamente (Mathew)
- Ah, quer saber? Tudo bem! (Eli)
- Tudo bem? (Mathew)
- Tudo! (Eli)
(Pausa)
- Pelo amor de Deus, Matt! Eu juro que se você não transar com ela eu vou me matar! Matt! Por favor! Por favor, Matt! Transe com ela por mim! Por mim! (Eli)

SHOW DE VIZINHA (The girl next door) - 2004 - Gênero: Comédia - Direção: Luke Greenfield /// Elisha Cutbergh, Emile Hirsch, Thimothy Olyphant, Chris Marquette. Imagens: IMDB.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012


SIMONAL - NINGUÉM SABE O DURO QUE DEI (SIMONAL: NO ONE KNOWS HOW TOUGH IT WAS):
Entre as décadas de 1960 e 1970, a música brasileira foi abençoada com muitos cantores geniais, de gêneros diferentes. Alguns ainda hoje estão por aí fazendo sucesso. Mas havia um homem que, dentre todos, conquistava as massas e sabia dominar uma platéia como ninguém. Este homem também foi literalmente apagado da história musical do Brasil. Ele se chamava Wilson Simonal.

O documentário Simonal - Ninguém sabe o duro que dei nasceu com a ideia de mostrar quem era Wilson Simonal e como ele foi parar nas gavetas do esquecimento. Negro e pobre, ele começou como crooner no Beco das Garrafas, em Copacabana, nos anos 50. Com uma linda voz, suingue e gaiatice, Simonal conquistou os corações dos brasileiros. Em parceria com o produtor Carlos Imperial, lançou um estilo de música (e vida): a chamada "Pilantragem". Simonal causou amores, mas também preconceito e muita inveja também.

Com um repertório de músicas como "País Tropical", "Mamãe passou açúcar em mim", "Vesti azul" e "Nem vem que não tem", programas na TV e shows no país e no mundo, é de se espantar que pouco se fale do artista. É que ele cometeu um grande erro durante seu sucesso. Desconfiado que seu contador Raphael Viviani o estivesse roubando, mandou que dessem um susto nele. A coisa ficou tão feia que houve envolvimento de pessoas da repressão do governo militar brasileiro da época, denegrindo de uma vez sua imagem perante os intelectuais, companheiros artistas e o povo brasileiro. Visto como "amigo da ditadura", caiu no ostracismo e foi esquecido por todos.

O documentário é todo feito por depoimentos de amigos e pessoas que conviveram e viram o fenômeno Simonal. Inclusive o do contador. Simonal - Ninguém sabe o duro que dei é repleto de imagens de época e artes visuais, o que o deixa mais simpático ao público que não conhece o cantor. Além disso, é um relato muito realista sobre os "anos de chumbo" (embora o enfoque não seja esse), quando não havia "mais ou menos". Ou você era à favor do socialismo ou da ditadura.

O documentário pode ser dividido em três partes: o sucesso, a denúncia e o ostracismo. Wilson Simonal morreu aos 62 anos, por culpa de uma cirrose hepática, causada pelo alcoolismo que o atormentou no período em que foi apagado da música brasileira. Morreu tentando provar que não era dedo duro da ditadura. Mas deixou um legado de músicas alegres que até hoje são lembradas. É um ótimo filme para quem gosta de compreender a história do Brasil. NOTA: 9.



Melhor citação do filme:
"Eu sempre fui mascarado." (Wilson Simonal)

SIMONAL - NINGUÉM SABE O DURO QUE DEI (Simonal - No one knows how tough it was) - 2009 - Gênero: Documentário - Direção: Micael Langer, Calvito Leal e Cláudio Manoel /// Chico Anysio, Ricardo Cravo Alvin, Sergio Cabral, Boninho, Castrinho. Imagens: IMDB.

domingo, 21 de outubro de 2012

SCARFACE (IDEM):
Se um dia eu encontrasse Al Pacino na rua eu me ajoelharia para agradecer tudo de bom que ele já fez ao cinema mundial! É impressionante como ele se entrega aos papéis, sejam eles quais forem, e como ele se transforma. Por isso que sou fã incondicional do cara.

Depois de muitos anos com uma falha no currículo, aluguei Scarface. Nem preciso dizer que amei o filme, não é?

Ele conta a história de Tony Montana (Al Pacino), um cubano que sai de seu país e vai para os Estados Unidos tentar ganhar a vida. E ele faz isso através do que sabe fazer de melhor: viver do mundo do crime.

Scarface é um épico no maior sentido da palavra. Assim como O Poderoso Chefão. A escalada de Tony Montana, de simples capanga à chefe do tráfico em Miami é sensacional. Não sei como fiquei tanto tempo sem ver este clássico. NOTA: 9.



Melhor citação do filme:
"Eu sempre falo a verdade. Mesmo quando eu minto." (Tony Montana - Al Pacino) 

SCARFACE (Scarface) - 1983 - Gênero: Drama - Direção: Brian de Palma /// Al Pacino, Michelle Pfeiffer. Imagens: IMDB.

sábado, 20 de outubro de 2012

A ESTRANHA FAMÍLIA DE IGBY (IGBY GOES DOWN):

Igby (Kieran Culkin) é um adolescente que não pára em escola alguma. E nem é isso que ele quer. Tem um pai - Jason (Bill Pullman) - que surtou quando ele ainda era uma criança e está internado em um manicômio; uma mãe - Mimi (Susan Sarandon) - dominadora e de extrema frieza; um irmão - Oliver (Ryan Phillipe) – completamente insensível e cínico; e um padrinho – D.H. (Jeff Goldblum) – que só pensa em dinheiro e em se dar bem. Com uma família dessas, quem seria normal?

Depois de uma temporada em uma escola militar, Igby resolve fugir de vez. Ele se esconde no estúdio da amante de seu padrinho, Rachel (Amanda Peet). Mas é a amizade com Sookie (Claire Daines) que faz com que o rapaz tente se acertar.

O filme mostra a relação conflituosa e vazia desta família, onde todos parecem se odiar. Mas, como toda família, sabemos que no fundo não é assim. Em alguns momentos cheguei a estranhar a frieza. E se aconteceu do filme despertar algum tipo de sentimento em mim é porque é bom. Eu acredito nisso.

A estranha família de Igby mostra um rapaz perdido, que sente a ausência do pai, a dominação da mãe e a indiferença do irmão, mas que precisa dar um jeito em sua vida. É uma busca de Igby para se centrar. É um bom filme, com uma trilha sonora que merece destaque. NOTA: 7

Melhor diálogo do filme:
- Que tipo de nome é Igby? (Sookie - Claire Daines)

- O tipo de nome que alguém chamada Sookie não está em posição de questionar. (Igby - Kieran Culkin)



 
A ESTRANHA FAMÍLIA DE IGBY (Igby goes down) - 2002 - Gênero: Drama - Direção: Burr Steers /// Kieran Culkin, Claire Daines, Susan Sarandon, Bill Pullman, Ryan Philips, Jeff Goldblum.

sábado, 11 de agosto de 2012

A DANÇA DOS VAMPIROS (THE FEARLESS VAMPIRE KILLERS):

Sempre cito algum filme considerado clássico que eu nunca vi, mas que gostaria muito de assistir. A Dança dos Vampiros é um deles. Via cenas e ficava imaginando que deveria ser um filme muito legal. Finalmente, realizei minha vontade e consegui alugar o filme.

A Dança dos Vampiros mostra uma história vivida pelo professor Abronsius (Jack MacGowran), que junto com seu jovem ajudante Alfred (o próprio diretor Roman Polanski) chega à Transilvânia atrás de relatos sobre vampiros. À princípio ninguém da cidade comenta nada. Mas o professor e o ajudante acabam sendo testemunhas do ataque do Conde Von Krolock (Ferdy Mayne) à jovem Sarah (Sharon Tate). O professor Abronsius e Alfred dão um jeito de chegar ao castelo do vampiro para tentar salvar a moça. Passam por diferentes tipos de aventuras e perigos, incluindo um baile onde os sanguessugas farão à festa sugando seu sangue e o de Sarah.

Realmente é um bom filme. Não é assustador, embora tenha seus momentos. A Dança dos Vampiros é mais um filme cômico do que de terror. O que não tira seu brilho. As confusões armadas por Alfred e o professor são divertidas. É um humor mais fino, uma coisa mais européia. Não é como temos hoje, tempo da escatologia. Polanski realizou uma comédia de terror um ano antes de um outro filme seu, considerado um dos mais arrepiantes filmes de terror: O bebê de Rosemary (que eu ainda não vi também!). O que mostra que ele é um diretor que sabe trabalhar em qualquer frente. Pena que ele se envolveu em polêmica. Com certeza, ela apaga um pouco do brilho de obras tão importantes para o cinema mundial. NOTA: 8 



Melhor citação do filme:
"Eu sou um pássado da noite. Não sou muito bom durante o dia." (Conde Von Kroloc - Ferdy Mayne)

 
A DANÇA DOS VAMPIROS (The fearless vampire killers) - 1967 - Gênero: Comédia - Direção: Roman Polanski /// Jack MacGowran, Roman Polanski, Sharon Tate, Ferdy Mayne.

domingo, 29 de abril de 2012

KUNG FU PANDA (IDEM):
Os filmes de artes marciais atraem multidões de fãs há muito tempo. Tiveram seu auge na época de Bruce Lee, mas continuam fazendo sucesso. Com Kung Fu Panda podemos dizer que este tipo de filme chegou a um nível nunca imaginado antes. O que será que Bruce Lee iria achar?

Acredito que ele ia gostar muito. Kung Fu Panda é uma animação muito divertida e, ao mesmo tempo, séria. Isto porque os ensinamentos de Kung Fu não são tratados como uma brincadeira. O treinamento é coisa séria.

O filme mostra a história do panda Po (voz de Jack Black e Lúcio Mauro Filho no Brasil). Ele trabalha com seu pai em um restaurante, vendendo macarrão e sopa, mas no fundo sonha em ser um grande lutador de Kung Fu. Po vive em um vale que tem a proteção de um grupo de mestres e discípulos desta arte marcial. Ele é fã dos chamados Cinco Furiosos: Garça (voz de David Cross), Louva-Deus (Seth Rogens), Tigresa (Angelina Jolie), Víbora (Lucy Liu) e Macaco (Jack Chan).

Um dia, o grande mestre Oogway (Randall Duk Kim) tem uma visão: Ele acredita que Tai Lung (Ian McShane), um ex-aluno que tornou-se um grande vilão, vai voltar para atacar o vale. Eles precisam encontrar o Dragão Guerreiro, o único capaz de derrotar a ameaça. Todos acreditam que um dos Cinco Furiosos serão escolhidos. Mas, advinhem quem é o Dragão Guerreiro? O panda Po, para desespero do mestre Shifu (Dustin Hoffman).

É uma animação muito legal! Em alguns momentos, tive a sensação de que estava assistindo a um filme de artes marciais de verdade. É uma produção ágil, às vezes até em excesso. Confesso que não consegui acompanhar muito as cenas de luta. Mas é assim que as crianças e adolescentes, o público da animação, lidam com as imagens hoje em dia.

Embora seja uma animação com um monte de animais fofinhos, Kung Fu Panda também é um filme sério. Hoje, é natural que as animações tenham uma “moral” no fim, bem diferente das antigas animações da Disney. Esta fala em acreditar em si mesmo, ter confiança para mudar seu destino. Ponto positivo. As cenas de luta são muito bem feitas. Com exageros aqui e ali, é um filme perfeito de artes marciais. Só que estrelado por um panda gordo e desajeitado. NOTA: 7.




Melhor diálogo do filme:
- Você não pode me derrotar! Você... Você é só um grande... gordo... panda! (Tai Lung - Ian McShane)

- Eu não sou um grande e gordo panda. Eu sou O grande e gordo panda! (Po - Jack Black)


KUNG FU PANDA (Idem) - 2008 - Gênero: Animação - Direção: Mark Osborne e John Stevenson /// Jack Black, David Cross, Seth Rogens, Angelina Jolie, Lucy Liu, Jack Chan, Randall Duk Kim, Ian McShane, Dustin Hoffman // Imagem: Google Images.

sábado, 28 de abril de 2012

HANCOCK (IDEM):
Os super-heróis povoam a nossa mente há gerações. A idéia de um ser humano com poderes fenomenais utilizando-os para fazer o bem é uma forma de escapar de nossas mazelas. Mas como seria se existisse mesmo um super-herói? É isto que Hancock se propõe a mostrar.

Em geral, os super-heróis são politicamente corretos. Não é o caso de John Hancock (Will Smith). Ele vive bêbado, apronta mil confusões, quebra tudo o que vê pela frente quando tenta ajudar as pessoas e é um verdadeiro idiota. Todo mundo o odeia e ele parece não estar nem aí para isso. Mas só parece. No fundo, ele é um solitário e se sente como se estivesse faltando um pedaço.

A vida de Hancok começa a mudar quando ele conhece Ray (Jason Bateman). Ele é relações públicas e é salvo de um acidente com trem pelo próprio Hancock. Para mostrar sua gratidão, Ray se oferece para mudar a imagem do herói perante a sociedade. O trabalho é difícil, mas ele garante que não é impossível. Assim, Hancock começa a mudar seu estilo e se torna um super-herói de verdade.

O filme é bem divertido. É uma verdadeira história de super-herói. A escolha de Will Smith para o papel de Hancock é a mais acertada. Afinal, ele já interpretou tantos heróis no cinema... Só faltava um de verdade.

Como todo filme de herói, há muita ação, aventura, explosões e tiroteios. Não tem como ser diferente. Mas o legal aqui é que não há um arquiinimigo com um plano mirabolante na cabeça. Há apenas os conflitos internos de Hancock, o seu passado batendo à sua porta e os bandidos comuns de uma cidade.A única crítica que faço é que o filme se perde, próximo ao seu final, com uma baboseira romântica. Digo baboseira pq, sinceramente, não faria muita falta se ela não estivesse lá.

Gostei bastante do filme. Sou fã do Will Smith e vejo tudo o que ele faz. Faltava esse. Não é o filme da minha vida, mas me diverti assistindo. NOTA: 7.


Melhor diálogo do filme:
- Você permite que eu toque seu corpo? (Hancock - Will Smith)

- Sim! (Vítima)

- Não é sexual. Não que você não seja uma mulher atraente. Talvez, em outra ocasião...

- Me tira daqui!!! (Vítima)

HANCOCK (Idem) - 2008 - Gênero: Ação - Direção: Peter Berg /// Will Smith, Jason Bateman, Charlize Theron // Imagem: Google Images.

terça-feira, 19 de maio de 2009

MENINAMÁ.COM (HARD CANDY):
Neste momento, bilhões de pessoas no mundo estão conectadas à internet. Algumas delas estão vendo emails; outros, participam de chats ou conversas no MSN. No mundo digital temos informações em excesso, mas a mais importante delas não está ao nosso alcance: quem é de verdade a pessoa que está teclando neste momento com você?

Esta premissa faz parte da base do filme Meninamá.com. Ele começa com um chat entre uma menina de 14 anos e um homem de mais de 30. Eles marcam um encontro real depois de três semanas de conversas virtuais. Ao se conhecerem em um bar, a simpatia é mútua. Halley Stark (Ellen Page), a menina, é extremamente precoce para sua idade. Jeff Kohlver (Patrick Wilson) é fotógrafo e está encantado com o que vê. Ele a convida para ir à sua casa ouvir música. E Hayley aceita.

A partir daí o filme torna-se mais e mais tenso. E esta tensão sofre várias reviravoltas. Em primeiro lugar, ficamos nervosos com o fato da menina ter ido para a casa de um homem mais velho e desconhecido. Só que depois, vemos que Hayley tem seus propósitos e não é assim tão sem-noção.

Meninamá.com é, no mínimo, sensacional. Adoro filmes que mexem com o psicológico da gente. E este é um destes exemplares. A história é construída em cima de uma premissa de justiça a qualquer preço que acaba fazendo você torcer para o vingador, embora sinta pena do “bandido”. Mas, quem ali é bandido ou mocinho? Tudo depende do foco e do momento do filme.

Um dos pontos altos é a câmera, que não pára um minuto. Este efeito dá a sensação de caos e urgência que o filme exige. Os fatos ocorrem e se justificam. E no final, você se sente aliviado depois de tanta tensão.

Há algum tempo estou de olho na atriz Ellen Page e cada vez ela me surpreende mais. Sua Hayley tem a doçura e dureza pertinentes para o papel de uma menina de 14 anos que tem um objetivo sério. Sério demais para a sua idade. Não vou me surpreender se Page ganhar vários Oscars nos próximos anos. Ela está melhor a cada trabalho.

Finalizando, Meninamá.com é daqueles filmes que você não pode perder. Principalmente se gostar de suspense e filmes com teor psicológico. À princípio, lembra levemente Jogos Mortais (o primeiro, que é o melhor. O resto é lixo). Mas é bem mais polêmico. Imperdível. NOTA: 9.


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Melhor diálogo do filme:
- Você não parece o tipo de cara que precisa conhecer garotas na internet (Hayley Stark - Ellen Page)

- Bom, eu acho que às vezes é melhor conhecer as pessoas online primeiro. Você entende como elas são por dentro. Quando você é fotógrafo, você descobre muito rápido que o rosto das pessoas mente. (Jeff Kohlver - Patrick Wilson)

- Meu rosto mente? (Hayley Stark)

MENINAMÁ.COM (Hard Candy) - 2005 - Gênero: Suspense - Direção: David Slade /// Ellen Page, Patrick Wilson, Sandra Oh // Imagem: Google Images.
LINHA DE PASSE (Idem):
São Paulo, Bairro Líder. Uma comunidade carente de São Paulo. Este é o pano de fundo para o filme Linha de Passe, de Walter Salles e Daniella Thomas. Ele mostra a vida de uma família muito peculiar e, ao mesmo tempo, muito comum nestas regiões de pobreza. Uma mãe sozinha comanda seus quatro filhos e ainda espera um quinto. Esta é a realidade da maioria das famílias pobres brasileiras.

Cleusa (Sandra Coverloni) é a mãe que trabalha duro como empregada doméstica e que precisa manter seus filhos na linha. Sua maior paixão é o Corínthians. Como única mulher e figura materna e paterna, ela corta um dobrado para criar e guiar seus quatro filhos de pais diferentes. Denis (João Baldasserini) é o mais velho. Ele é motoboy e tem um filho pequeno que ajuda a criar. Dinho (Geraldo Rodrigues) é o segundo e trabalha como frentista. Tem um passado misterioso e desabonador. Hoje, arrependido, frequenta uma igreja evangélica. Dario (Vinicius Oliveira) está prestes a completar 18 anos e vive um dilema. Ele sonha em se tornar jogador de futebol profissional. Enfrenta várias “peneiras” de clubes, é bom de bola, mas não consegue uma chance. Coisa muito comum para milhares de brasileiros. Agora, chegando a maioridade, ele acredita que suas chances de ser escolhido por um olheiro diminuíram. Reginaldo (Kaique Jesus Santos) é estudante e o filho mais novo - enquanto o bebê não nasce. É o mais solitário dos filhos de Cleusa. Seu sonho é descobrir quem é seu pai. A única coisa que ele sabe é este é motorista de ônibus. Passa seus dias andando de uma linha a outra dos coletivos de São Paulo, imaginando qual motorista é o seu pai.

Linha de passe é uma história muito real. A luta diária por emprego, a vida sem perspectivas, os sonhos frustrados, a ausência de figura paterna etc. são problemas comuns na vida de muitos brasileiros das camadas mais pobres. Cleuza e seus filhos vivem o dia-a-dia sem grandes sonhos. O único que sai desta característica é Dario, que quer ser jogador profissional e mudar de vida. Os outros filhos vivem no limiar entre o que é certo e o que é errado. O que deve ou não ser feito.

É um filme muito sensível e comovente. As atuações estão irrepreensíveis. Sandra Coverloni é destaque no papel da mãe forte, dura, batalhadora e que ama seus filhos. Por isso é tão questionadora e se mete na vida de cada um dos filhos. Não é à toa que a atriz ganhou prêmio em Cannes. Cleuza é uma mulher muito forte e comum. Todo dia esbarramos com alguma Cleuza por aí. O elenco faz o filme fluir como uma boa partida de futebol. São como um time campeão. NOTA: 8.




Melhor diálogo do filme:
Não lembro de alguma marcante.

LINHA DE PASSE (Idem) - 2008 - Gênero: Drama - Direção: Walter Salles & Daniela Thomas /// Sandra Corveloni, João Baldasserini, Geraldo Rodrigues, Vinícius de Oliveira, Kaique Jesus Santos. // Imagem: Google Images.

terça-feira, 5 de maio de 2009

CINEMA PARADISO (CINEMA PARADISO):
Demorei muito para assistir este filme. Dizer que é uma obra-prima é chover no molhado. Para quem gosta de verdade de cinema, não tem como não se emocionar com o que se vê aqui. Cinema Paradiso é uma história de amor à sétima arte.

O filme mostra as lembranças de um homem, Salvatore (Jacques Perrin), depois que este descobre que seu grande amigo de infância morreu. Alfredo (Phillippe Noiret) era o projecionista do cinema da cidadezinha onde Salvatore, na época conhecido como Totó, cresceu.

Alfredo desenvolveu em Totó seu amor pelos filmes. E enquanto ele crescia apaixonado por cinema, sua cidade e os costumes iam mudando junto. Totó convence Alfredo a deixá-lo trabalhar como projecionista no cinema da cidade ainda criança. Este é o primeiro passo para que ele trabalhe com filmes ao tornar-se adulto.

Acho genial a forma como o roteiro mostra a vida na cidadezinha do interior da Itália, com todos os seus problemas. E como o Cinema da localidade é o ponto de referência de sua população. É lá que todos se divertem, que conversam, discutem, fazem política e encontram seus amores. O único meio de diversão que a cidade tem. A forma como todos conseguem se esquecer de seus problemas momentâneamente. E o ocaso do cinema também é o ocaso da cidade. Lindo! Nota: 9.



Melhor diálogo do filme: "O progresso sempre chega tarde." (Alfredo - Philippe Noiret)

CINEMA PARADISO (Idem) - 1988 - Gênero: Drama - Direção: Giuseppe Tornatore /// Salvatore Cascio, Philippe Noiret, Marco Leonardi. // Imagem: Google Images.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

DIVÃ (IN THERAPY):
Assim que vi o trailer deste filme, decidi assisti-lo. Filmes de mulheres em crise são praticamente obrigatórios para nós do sexo feminino, mesmo que a gente não admita. E este então, que tem a maravilhosa atriz Lilia Cabral no elenco, não tinha como não ver.

Divã em filme é baseado na peça de teatro estrelada pela mesma atriz, que é baseada no livro da escritora (maravilhosa!) Martha Medeiros. Ele conta a história de Mercedes, uma mulher em torno dos 40 anos, que tem um casamento estável e uma família normal, mas decide fazer terapia por sentir falta de algo que ela não sabe bem. Nesta fase, a dona de casa acaba passando por mudanças radicais e perdas muito dolorosas, que só a fazem crescer mais.

Este é um dos filmes brasileiros mais engraçados e comoventes que eu já vi. Ri e chorei ao mesmo tempo. É sensível, com ótimo roteiro e elenco. O trailer já diz tudo! Nota: 9.



Melhor citação do filme: "Para mudar é preciso dar o primeiro passo." (Frase usada na campanha publicitária)

DIVÃ (In therapy) - 2009 - Gênero: Comédia Romântica - Direção: José Alvarenga Jr. /// Lília Cabral, José Mayer, Reynaldo Gianecchini, Cauã Reymond, Alexandra Richter, Eduardo Lago, Paulo Gustavo. // Imagem: Google Images.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

DOIDAS DEMAIS (THE BANGERS SISTERS):
Lavinia (Susan Sarandon) e Suzette (Goldie Hawn) aproveitaram bem a juventude nos anos 70. Elas eram groupies e estavam sempre em eventos e shows de rock. Aprontaram muito, namoraram músicos e viveram de forma selvagem.

Passados 20 anos, cada uma seguiu sua vida e nunca mais se viram. Suzette, que ainda vive como naquela época, resolve buscar sua amiga para ver o que ela está fazendo. Quando encontra Lavinia, tem uma surpresa. Agora ela é uma respeitada e sisuda dona de casa, com filhas e uma reputação a zelar.

É aí então que começa a confusão. Enquanto Suzette espanta toda a cidade com seu jeito "esquisito", Lavinia faz tudo para afastar a amiga de seu convívio, para não ter que assumir para todos quem já foi um dia. Ela acredita que vai perder a moral perante a sociedade e suas filhas, mas não vê que isso já aconteceu há muito tempo. E Suzette está lá para ajudá-la.

Doidas demais não é uma maravilha. É aquele típico filme esquecível que você assiste na Sessão da tarde para passar o tempo. Mas tem um lado engraçado, ao meu ver. A gente sempre ouve falar das tais groupies, mas nunca sabe o que aconteceu com elas. O filme aponta uma possibilidade.

Detalhe para Goldie Hawn fazendo o papel de uma "groupie" mais velha, enquanto sua filha Kate Hudson também interpretou uma em Quase famosos. Seria Suzette a versão mais velha de Penny Lane? rs. Nota: 6.

Melhor diálogo do filme:
- Suzette? É você? (Lavinia - Susan Sarandon)

- Sim! Bom, o nariz, os lábios e os peitos não sou eu, mas eu estou aqui em algum lugar! (Suzette - Goldie Hawn)

DOIDAS DEMAIS (The Bangers sisters) - 2002 - Gênero: Comédia - Direção: Bob Dolman /// Goldie Hawn, Susan Sarandon, Geoffrey Rush, Erika Christensen, Robin Thomas, Eva Amurri // Imagem: Google Images.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

ACOSSADO (À BOUT DE SOUFFLE):
Toda vez que assisto a um clássico do cinema mundial fico feliz e ansiosa ao mesmo tempo. Feliz porque conheço um pouco mais da arte que mais mexe comigo. E ansiosa porque, como vou assistir a um clássico, tenho medo de não compreender toda a essência ou tudo aquilo que o diretor quis passar.

Acossado é um filme do diretor francês Jean-Luc Godard e, por isso, me amedrontava assistir. Mas quando vi pela primeira vez, senti que era uma tremenda bobagem minha. Afinal, o filme é simplíssimo! Não tem como não entender.

Ele conta a história de Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo), um jovem que vive de trapaças aqui e ali e de explorar amigos e mulheres. Ele se sente o próprio gangster, mas está longe de ser um. Ao roubar um carro, Michel acaba se metendo em confusão ao tentar fugir da Polícia. Ele mata um policial e foge. Vai para Paris para buscar um dinheiro que lhe devem e para encontrar a mulher que ama: a americana Patrícia (Jean Seberg). Ele pretende fugir com a amada para a Itália, mas primeiro precisa convencê-la.

Para quem conhece o estilo, Acossado é Nouvelle Vague puro, com cortes inesperados das cenas sem que este tipo de edição prejudique o decorrer da história. Ele também não deixa de ser uma história de amor. Afinal, Michel passa horas e horas em D.R. (Discussão de Relacionamento)com Patrícia. Esta, não tem certeza do seu amor pelo jovem francês. Sua indecisão acaba sendo um ponto crucial para a história de Michel.

Sem querer criticar um grande mestre, mas já criticando... Sinto uma ponta de revolta contra as mulheres em algumas partes do filme. Como se todas só pensassem em dinheiro e o amor ficasse em segundo plano. Poderia não ser nos anos 60, mas hoje isso é um clichezão enorme! Mas a gente perdoa o Godard... Nota: 9.

Melhor citação do filme: "É tarde demais para voltar atrás." (Patrícia Franchini - Jean Seberg)

ACOSSADO (À bout de souffle) - 1960 - Gênero: Drama - Direção: Jean-Luc Godard /// Jean-Paul Belmondo, Jean Seberg // Imagem: Google Images.
CHE - PARTE 1 (CHE, EL ARGENTINO):
Até mesmo o ser mais alienado do mundo conhece a imagem de Che Guevara. Esta pessoa pode até não ser um às em história mundial, mas é normal ver fotos do guerrilheiro argentino estampando de tudo: anúncias, camisetas, bonés, bottons, CDs etc. O irônico disso tudo é que a imagem de Che banalizou-se tanto que virou ícone daquilo pelo qual ele mais lutou: o imperialismo (da mídia, no caso).

O filme de Sodenberg traz um Ernesto Guevara (Benício Del Toro) mais cru. Em início de carreira como guerrilheiro. Mais precisamentem em 1956, quando ele, Raul Castro (Rodrigo Santoro) e Fidel Castro (Demián Bichir) planejavam tomar Cuba das mãos de Fulgêncio Batista e acabar com seu governo corrupto.

Che - parte 1 é quase como um documentário. Ele mostra o cotidiano dos guerrilheiros enquanto estão na frente de batalha em prol da revolução. Mostra os ideais de Guevara e o quanto ele se dedicou à tomada da ilha e aos seus comandados. Em alguns momentos, esta relação de Che com os guerrilheiros chega a ser engraçada. É como se ele fosse um pai tomando conta e educando os filhos menores.

Ao mesmo tempo em que traz a guerra pela tomada de Havana, o filme também mostra Che indo falar na tribuna da ONU. Isto é em outro momento, em 1962, quando Cuba já estava livre de Batista. O filme intercala os momentos da guerrilha com os de Che em Nova York.

Benicio Del Toro está ótimo como Che Guevara. Aliás, o filme é ótimo. Uma aula de história das Américas. Fiquei curiosa para ver a segunda parte. Mas há um porém. Ele não é um filme muito fácil de assistir. Para quem está acostumado com a atual linguagem dos filmes, com imagens rápidas e sem muito tempo para que o telespectador pense, Che - parte 1 não será agradável. Ele é bem lento. Por isso, muita gente vai achar chato. Mas para quem se interessa por história e por esse ícone latino-americano é uma ótima pedida. Nota: 08.

Melhor citação do filme: "O verdadeiro revolucionário é guiado por sentimentos de amor. Amor pela humanidade, justiça e verdade. É impossível pensar em um autêntico revolucionário sem essa qualidade." (Ernesto 'Che' Guevara - Benicio Del Toro)

CHE - PARTE 1 (Che, el argentino) - 2008 - Gênero: Drama biográfico - Direção: Steven Soderbergh /// Benício Del Toro, Demián Bichir, Rodrigo Santoro, Catalina Sandino Moreno // Imagem: Google Images.

segunda-feira, 30 de março de 2009

PALAVRA (EN)CANTADA (IDEM):
Fui ver este documentário completamente descompromissada. Na verdade, eu tenho um problema. Quase nunca vejo documentários. É raro eu sair para assistir um. Mas prometo que vou mudar isso.

Aliás, Palavra Encantada é um ótimo começo para quem não tem o hábito de assistir documentários começar a deixá-lo de lado. É um filme lindo, um presente para todos aqueles que falam a Língua Portuguesa e que gostam de música e literatura.

O documentário traz diversos depoimentos de cantores, compositores, músicos, poetas e escritores sobre a Língua Portuguesa e sua sonoridade. Eles usam poemas e música para mostrar como nossa língua é linda e como tem um ritmo próprio, leve. Diferente de muitas outras línguas por aí.

Palavra Encantada é lindo em todos os sentidos. É uma viagem para dentro de nós mesmos, da nossa cultura e da nossa língua pátria. Deveria ser exibido em todas as escolas do país. O problema é que ninguém se preocupa com este tipo de iniciativa por aqui. Infelizmente...

Recomendo o filme para qualquer um que se sinta brasileiro não só no período da Copa. Nota: 9.

Melhor citação do filme: Infelizente não anotei uma boa... :-(

PALAVRA (EN)CANTADA (Idem) - 2008- Gênero: Documentário - Direção: Helena Solberg /// Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Lenine, Adriana Calcanhoto, Maria Bethânia, Gustavo Black Alien, Chico Buarque, Zélia Duncan, Antônio Cícero // Imagem: Google Images.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O LEITOR (THE READER):
Michael Berg (Ralph Fiennes) é um advogado sério e fechado. Ele sai com mulheres, mas não mantém os relacionamentos. Sua relação com a filha também não é nada próxima. Ao que parece, ele ficou traumatizado por um relacionamento antigo, que não teve um final feliz.

Quando era apenas um rapaz, Michael se envolveu com uma mulher mais velha: Hannah (Kate Winslet). Ela o ajudou quando o rapaz estava doente e despertou seu interesse. Acontece que Michael também despertou o dela e ambos viveram um curto romance, logo após a Segunda Guerra Mundial. A relação dos dois tinha uma curiosidade. Hannah gostava que o rapaz lesse para ela alguns dos livros que estava estudando na escola.

Mas nem tudo são flores na vida e Hannah desaparece da vida de Michael um certo dia. O rapaz fica muito mal, logicamente. Anos depois, já estudante de Direito, Michael reencontra Hannah em um tribunal. Ela está sendo julgada por atrocidades contra judeus em um campo de concentração, onde foi guarda por alguns anos.

O filme capricha no traço dramático da história. Hannah é culpada, mas carrega um segredo que prefere não revelar. Este segredo poderia amenizar sua pena. Mesmo assim, ela prefere continuar sem revelá-lo. Enquanto isso, Michael é obrigado a conviver primeiro com o julgamento da primeira mulher que amor e depois com a culpa pelos anos em que ela ficou presa e que ele não a ajudou.

O leitor é o típico dramalhão que consegue nos segurar na cadeira. Mas, confesso que algumas coisas me incomodaram. Acho que a trama se dividiu em várias coisas diferentes e que não tinham muito a ver entre si. É como se fossem muitos filmes em um só. Não sei... Achei que por serem tantos, as tramas se perderam um pouco e não foram melhor aproveitadas. Mas não é um filme ruim. É bem interessante. Nota: 7.

Melhor citação do filme: "Não importa como eu me sinto. Não importa o que eu penso. Os mortos continuarão mortos." (Hanna Schmitz - Kate Winslet)

O LEITOR (The reader) - 2008- Gênero: Drama - Direção: Stephen Daldry /// Kate Winslet, Ralph Fiennes, David Kross // Imagem: Google Images.

segunda-feira, 9 de março de 2009

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? (SLUMDOG MILLIONAIRE):
Bollywood invade Hollywood! E logo nas mãos de quem? Do cineasta inglês mais conhecido por filmes como Cova Rasa, Extermínio e o megacult Trainspotting. Considerando seu currículo tão eclético não é de estranhar que Boyle tenha sentido vontade de fazer esse filme.

Baseado em um romance de Vikas Swarup, Quem quer ser um milionário parece bobo à princípio, mas é preciso olhar nas entrelinhas. Mesmo com tanto carnaval visual e a história romântica que tomam conta do filme, o filme mostra uma Índia muito diferente da que aparece na novela da Globo.

Quem quer ser um milionário conta a história de Jamal Malik (Dev Patel). Ele tem 18 anos, trabalha como "rapaz do chá" em uma empresa de telemarketing e está prestes a se tornar um milionário. Ele está participando de um programa de TV chamado "Quem quer ser um milionário" e, até agora, acertou todas as perguntas.

Mas como é um rapaz pobre, sem instrução, os acertos de Jamal são colocados em dúvida. Será que ele está recebendo dicas de alguém? Será que está roubando?

Quem tenta descobrir isso é a Polícia. Jamal, então, conta como conseguiu responder a todas as perguntas e, ao mesmo tempo, conta a sua difícil história de vida.

A construção da história do filme é o destaque, na minha opinião. Talvez por isso tenha ganho o Oscar - merecido - de melhor edição. Ela te envolve e você fica torcendo e sofrendo com os personagens.

A história de amor entre Jamal e Latika (Freida Pinto) tem momentos de extrema tristeza. Mas o filme não pode ser considerado um dramalhão. Pelo contrário. O clima do filme é de alegria e festa. Talvez porque todo mundo fica torcendo para que Jamal acerte a última pergunta, se torne mesmo um milionário e termine com sua amada. No primeiro momento parece bobo, mas diverte e, sinceramente, mereceu o Oscar de melhor do ano. Nota: 9.

Melhor cena do filme: A que o pequeno Jamal consegue o autógrafo de seu ídolo de cinema favorito.

Melhor citação do filme: "Eu sabia as respostas." (Jamal Malik - Dev Patel)

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO (Slumdog millionaire) - 2008- Gênero: Drama - Direção: Danny Boyle /// Dev Patel, Saurabh Shukla, Freida Pinto // Imagem: Google Images.